Município

Santuário e Torre

SANTUÁRIO NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

No dia 15 de agosto de 1920 tomou posse como pároco o Pe. Ernesto Consoni, primeiro Padre Carlista a atuar na Paróquia. Ele comenta: “ Tendo achado uma Matriz de madeira, procurei com o auxílio do povo, de levantar uma matriz monumental, de material. Tivemos de lutar pela falta de material...”

No dia 03 de outubro de 1921, na ata de lançamento da primeira pedra, está escrito: “ Pe. Ernesto Consoni auxiliado pelo Pe. Aneto Bogni, lançou a primeira pedra fundamental da nova igreja paroquial, depois de benta solenemente... Com estas solenidades foram oficialmente inaugurados os trabalhos da nova igreja, sob direção e fiscalização da comissão executiva, sendo o desenho da nova igreja paroquial de autoria do arquiteto Pe. Carlos Pedrazzani, pároco da sede do município de Encantado.”

A comissão executiva da nova igreja paroquial era: Presidente e Tesoureiro: professor Pedro Zambenedetti; Secretário: o oficial do Registro Civil José Girardi; Conselheiros: Luiz Bergamini, José Boff, João Batista Bordignon, Hermínio Maccari, Valentin Badin e Aquiles Cervieri.

Na visita pastoral de 14 de outubro de 1924, D. João Becker escrevia: “Às 3h e 30 min da tarde, fizemos o nosso ingresso solene na nova Igreja Matriz, sendo este ato a primeira função religiosa que se realiza no mesmo templo, coberto e preparado para os atos cultuais poucas horas antes da nossa chegada...”

Em 19 e 20 de novembro de 1929, consta na ata: “No dia seguinte, quarta-feira, 20 de novembro, administrei de novo o sacramento da crisma...A Igreja Matriz é nova, espaçosa, sem pavimento definitivo, mas já em preparação. A Igreja custou cerca de 200 contos de réis...Os altares são ainda provisórios. A casa paroquial é de madeira e tão velha e mal dividida que deve ser substituída por uma outra de material...”

No dia 16 de novembro de 1933, D. João Becker escrevia: “ A Igreja foi dotada de um novo pavimento de mosaico de cimento e uma abóbada de cimento armado, novo altar, numerosos bancos de madeira de lei, tudo isto por iniciativa e sob a direção do atual vigário. Além disso, construiu uma nova casa paroquial e dois andares (atual Casa Canônica), casa ampla e confortável.”

Aos 08 de dezembro de 1956, assim escrevia o Pe. Francisco Lollato: “ Nos dias 07 e 08 de outubro de 1956, houve como de costume a festa de Nossa Senhora do Rosário. Nesta ocasião, se aproveitou para fazer reformas na Igreja...A obra foi entregue ao Sr. Emilio Zanon. A Igreja está hoje completamente metida a novo, pintada por fora e por dentro. O próprio altar mor foi reformado e encimado por uma grande cruz. A milagrosa imagem de n. Sra. Do Rosário foi posta no altar lateral preparado de propósito, estando assim mais ao alcance do povo que devotamente a venera...”

No começo de maio de 1981 o conselho paroquial decidiu refazer todo o reboco da igreja, a pintura e renovar o telhado, trocando as folhas de zinco que fossem necessárias. O telhado ficou a cargo de Fiorello Turmina e o reboco para a firma de Antônio Vidmar. No dia 25 de outubro de 1982, iniciaram os trabalhos de reforma interna da igreja,a cargo do Sr. Emílio Zanon. Foi demolido o foro antigo de concreto e feito um novo em estilo basilical. Também foram revestidos de mármore o piso e uma barra nas paredes.

No dia 13 de fevereiro de 1983, encerrando os trabalhos de reforma, a igreja Matriz era consagrada por D. Urbano Allgayer como Santuário diocesano de Nossa Senhora do Rosário. O decreto que declara Santuário está datado do dia 11 de fevereiro de 1983. Nos anos 1987-88, por ocasião do Ano Mariano, tornou-se o centro de inúmeras iniciativas em conjunto com as paróquias vizinhas. Assim nascia a primeira Romaria no dia 29 de maio de 1988.

A IMAGEM DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO
   
A padroeira da paróquia é Nossa Senhora do Rosário de Pompéia. A primeira capela dedicada à Nossa Senhora do Rosário foi construída no fim do século passado. A invocação à N. Sra. Do Rosário passou a designar o povoado nascente que começou a ser conhecido por “ Linha Onze” ou “Rosário de Guaporé”. Não temos dados a respeito da imagem inicialmente venerada pelo povo. Mas a devoção do povo italiano à Nossa Senhora do Rosário de Pompéia é muito grande e foi trazida para cá pelos imigrantes italianos em fins do século XIX.

No dia 02 de março de 1910, na primeira visita pastoral ao curato de Linha Onze, o Bispo Coadjutor de Porto Alegre, Dom João Pimenta, escreveu no Livro tombo: “ O altar-mor é dedicado à Nossa Senhora do Rosário, cuja imagem é de grande culto e muito perfeita.” A imagem primitiva foi confeccionada em madeira por artesãos da região, mas não era muito artística. Por isso, os devotos desejavam algo melhor. E foi o que fizeram. Encomendaram uma nova imagem da França e a primitiva foi para o capitel da Capela de São Caetano, construído pela família Benedetti.

O Livro Tombo descreve também: “ No dia 30 de março de 1913, às 3 horas da tarde, chegou da província de Paris, a estátua de Nossa Senhora do Rosário. À espera tinha muita gente. Na ocasião da bênção, feita pelo R. P. Fidelis, capuchino de Garibaldi em missão do jubileu na paróquia, o povo entoou alguns cantos em honra de Nossa Senhora do Rosário.”

A TORRE

O povo não estava satisfeito com o humilde campanário de madeira. Já tinha sido deslocado 5 vezes por sucessivos trabalhos de traçado de ruas e os velhos troncos de angico estavam apodrecendo. O bispo não achava uma obra prioritária para a paróquia uma nova torre, por isso inicialmente se opôs. Mas diante da pressão do povo e do entusiasmo pela obra do Pe. Antônio Marcon, no dia 29 de janeiro de 1951 acabou autorizando a construção da torre.

O Pe. Luiz encomendou um projeto ao Sr. Bettanin de Guaporé. O projeto chegou a ter a aprovação civil e eclesiástica, mas posteriormente foi abandonado porque seu autor recusou a fazer algumas modificações consideradas necessárias. Pe. Antônio procurou uma alternativa. Inspirando-se em fotos da torre de sua terra natal, Fonzaso (Itália), pediu a um agrimensor chamado Aimone Taverna desenhar detalhadamente a torre, que acabou sendo aceita por todos. Não foi feita na fachada da Igreja, como muitos queriam, porque as paredes com muro de barro não resistiriam as vibrações.

No dia 8 de maio de 1951 foi colocada a primeira pedra e no dia 8 de maio de 1953 foi inaugurada, com uma grande celebração. Na inauguração, o padrinho de honra foi o Sr. Elvirio Perusso, que no momento cedeu o gesto de abrir a porta ao Pe. Luiz. Para puxar as cordas para o primeiro toque dos sinos foram escolhidos os senhores Dovílio Costella, José Cella e Antônio Ziliotto.

No dia da inauguração foi distribuído um memorial da torre, que informava seguinte dados: Altura: 60 m; Sapata 8,20m x 8,20m x 2,80m; Altura dos sinos 28m; Alturas dos relógios: 35m; Pirâmide de alumínio: 17m; Cruz: 2m. Custo total de Cr$ (cruzeiros) 435.906,70. Pe. Vigário: Pe. Luiz Pedrazzani; Pe. Vigário Cooperador: Pe. Antônio Marcon; Tesoureiro: Amantino Montanari; Arquiteto: Aimone Taverna; Construtor: Zelindo Boscardin; Responsável: Madureira & Bertagna; Pedreiros: Ampélio Grando, Cerilo Fornari, Gedi Ciarini, João Magon, Agostinho Zanlucchi, Teolides Grapiglia, Davide Ghisolfi, José Machado; Carpinteiro: Segundo Bordignon.

Por ocasião da inauguração da Torre, no ano de 1953, o Pe. Giovanni Simonetto compôs uma poesia dedicada à torre:

Sou flecha de prata:
O azul me arrebata:
Sou dedo de Deus:
Indico-te os céus.
Eu canto e eu choro,
Eu rezo e imploro,
De noite e de dia
Invoca Maria

O meu coração
É feito de bronze
Convoca os da Onze
Para a oração
Din, Din, Dan
Din, Din, Don

O olho meu grande
Em torno se expande,
Contempla extasiado
O teu povoado:
E vê tua casinha,
Tua roça, tua vinha;
E vê, triste e sério,
O teu cemitério

OS SINOS

Os sinos foram um dos principais meios de comunicação no passado. Não só serviam para chamar o povo para a igreja, mas também tinham toques festivos, fúnebres, sinal de alarme em momentos de perigo entre outros. A torre e os sinos eram um cartão de visita dos povoados e cidades da Itália. Os imigrantes trouxeram consigo esses sentimentos. Por isso desde cedo manifestaram o desejo de ter aqui algo que matasse as saudades da terra natal.

No Livro tombo da Paróquia encontra-se: “ No dia 02 de junho de 1914 foram encomendados três sinos com peso de 1.600 quilos. Concerto diatônico dos senhores Pacard Annecy, HT Savoia (França). O 1° Sino em Sol b, com 760 quilos, este leva incisa a cruz e as palavras N. S. Do Rosário. O 2º Sino em Lá b, com 520 quilos, incisa a imagem de Santo Estevão e as palavras S. Estêvão. O 3º Sino em Si b, com 360 quilos, incisa a imagem de Santo Antônio e as palavras S. Antonio. Cada sino terá num lado estas palavras: Freguezia de N. S. Do Rosário, L. XI Guaporé, e de outro lados as palavras: O Vigario P. Estêvão Noce, 1915. Já são fundidos, mas por causa da guerra não puderam chegar aqui. Esperamos a Paz.”

Com relação à inauguração dos sinos temos apenas uma menção de passagem. No dia 27 de outubro de 1917, na visita Pastoral do Monsenhor Luís Mariano da Rocha, ele escreveu: “ Visitei também o campanário pronto pouco antes da morte do Pe. Estêvão Noce e que contém os três magníficos sinos...que custaram uns catorze contos de réis.” Sendo que o Pe. Estêvão morreu no dia 4 de janeiro de 1917, podemos deduzir que os sinos e o campanário foram inaugurados no final do ano de 1916.

OS RELÓGIOS DA TORRE

Os quatro relógios da torre foram mandados instalar pelo Pároco Francesco Lollato. O relógio modelo E. ª 2, número 119, foi construído no ano de 1962 e instalado pela Indústria de Relógios Públicos Schuertner Ltda. De Estrela – RS.

No dia 10 de junho de 1963, no encerramento da novena das primeiras sextas feiras do mês das 750 mães serafinenses foram inaugurados os relógios, como lembrança da novena das senhoras serafinenses. No ano de 2000, por ocasião da Romaria diocesana de Nossa Senhora do Rosário, a torre recebeu a pintura atual.

Fonte:
Livro da Paróquia Nossa Senhora do Rosário: 1905-2005: 100 anos de Fé e Devoção.

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